3.09.2012

Find Your Freedom



Deu-se o nó na garganta depois de o ver, a ele. Tão doce e frágil, desfeito em lágrimas. Os olhos castanhos dissolvidos na textura espessa das lágrimas que escorriam a fio, queixo abaixo, abrindo feridas no seu rosto tão imperfeito e tão humano. Doí-a só de o ver, preso no reflexo do espelho e em toda aquela melancolia de quem tinha acreditado que começar uma nova vida cheia de coisas boas era algo além de possível, bastante fácil. A desilusão batera-lhe à porta mais uma vez.
 As mãos trémulas, cuidara-as o tempo que as limpa das marcas de quem lutou pela sua liberdade, e mesmo assim perdeu a vida na guerra, metaforicamente dito. Não há espaço para mais trofeus miseráveis no armário. A vida enche-se de vitórias sem sentido que não servem para nada e no fundo, o vazio habita sempre no fundo da rua, à espera do momento certo para invadir o meu interior e levar o que resta dum pouco cativante dia-a-dia chato e pacato, onde o cinzento se alastra no céu cobrindo num manto as cores e as luzes que se apagam quando passo, para não ver, o quão bonita é, aos olhos dos outros, as meras coisas vulgares e desinteressantes que me sufocam quando a vontade de correr sem parar, para onde as pernas me conseguirem levar atrás do vento e dos pássaros, se senta à mesa, batendo levemente as unhas no tampo de madeira, impaciente.
Liberdade, eu queria tê-la. O diamante rosa que todos queriam mas só os valentes conquistam, quando escolhem deixar para trás o estupido armário de coisas inúteis e sem olhar para trás, galopam velozmente em direção ao sol, em busca de mais luz nas suas vidas e quem sabe, de dias mais bonitos, onde a desconhecida felicidade rompe os cantos da boca geralmente serrada, numa linha arqueada para baixo, molestada de sorrisos e gargalhas que aos meus ouvidos, soam como pássaros a chilrear no auge da Primavera que chega, de malas feitas para ficar quando um reflexo triste se perde no espelho e se apaga na mente que um dia desejou voar nas brisas de Março. 

15 comentários:

  1. Ter liberdade é saber libertar-se do seu próprio corpo e não de um certo lugar. É viajar com a mente e mais tarde com o corpo. Para se ser livre, primeiro liberta-se a mente e depois o corpo.
    Um ótimo texto... como todos os outros. (:

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    1. Concordo :3
      Obrigado pela visita, comentário e claro os elogios.

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  2. Olá, estou retribuindo a visita, e quero dizer que me senti muito bem por aqui. Seguindo, um abraço!

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  3. Oi! Seu blog é muito interessante. Já estou te seguindo de volta. Seu texto tá muito lindo e as emoções que tu passas nele são inexplicáveis. Abraços!

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  4. Obrigada pela visita la no blog,o seu também é muito lindo, pode deixa, já estou te seguindo.
    Até Logo.

    coisasdejuheluly.blogspot.com

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  5. É isso, caminhar velozmente em direção ao sol
    Planar como ave liberta,
    Olhar tudo do alto enquanto plana
    E amar o amor e toda a espécie de amor
    E se dar sem se apegar...

    Belo texto.

    Maria Luísa

    p.s.escrevo poesia no, http://os7degraus.blogspot.com

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    1. Obrigado, irei já passar por lá e dar uma olhada no seu trabalho :)

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